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A
Agrimensura, como profissão universitária
nascida para dotar à Sociedade dos recursos humanos
necessários para o conhecimento e demarcação
do território.
Desde
o alvorecer da humanidade, o conhecimento do território
tem sido sempre uma atividade imprescindível
para todos os povos; dela nasceram e evolucionaram a
geometria, cartografia, topografia, geodésia,
a agrimensura legal, a fotogrametria, a teledetecção
por satélite, etc.
Os
avanços teóricos e tecnológicos
mediante, a arte milenar de conhecer e demarcar o território
tem-se evoluído junto à sociedade, e hoje
se mostra como uma profissão cuja missão
é fornecer as informações necessárias
para o conhecimento material e cultural do território,
não é em vão que a nave espacial
concebida para viajar para além do nosso sistema
solar para fornecer informação material
e porque não cultural do espaço foi nomeada
como Surveyor (Agrimensor).
E
este conhecimento da realidade física, jurídica
e econômica do território é necessário
para o planejamento da obra pública, para o desenvolvimento
da atividade privada, para a adequada implementação
de políticas regionais, sociais e ambientais,
mas fundamentalmente é imprescindível
para o estabelecimento do Ordenamento Territorial que
promove o saneamento material dos títulos de
propriedade para afiançar a segurança
jurídica na transação imobiliária
e que permita também a plena e efetiva vigência
dos princípios de equidade, capacidade contributiva
e certeza nas cargas dos impostos sobre as propriedades
imóveis.
Através
dos atos de levantamento territorial, o agrimensor capta,
processa e documenta as informações destinadas
ao conhecimento do espaço territorial e suas
características, proporcionando assim a base
certa e fidedigna sobre a qual se podem executar diagnósticos,
propor soluções e planejar a execução
de obras aptas para satisfazer às necessidades
humanas e para preservar o meio ambiente.
Deste
modo, em uma das suas missões específicas,
o agrimensor é o encarregado por excelência
de determinar os limites territoriais conforme as causas
jurídicas que o são originárias;
precisamente, mediante os atos de levantamento parcelário
(mensuras, unificações, subdivisões
em propriedade horizontal/condomínios, etc.),
o agrimensor investiga, identifica, situa, mede, materializa,
representa e documenta o espaço territorial objeto
de um direito real ou uma posse territorial.
Mas
a Agrimensura, como profissão universitária
com transcendência social, não só
é regida por princípios técnicos;
dentro de sua complexa axiológica característica
aparecem valores para serem alcançados que transcendem
e condicionam os postulados teóricos que servem
de suporte científico a atividade.
Definir
uma profissão através dos valores conduz
todo a um tratado, e certamente geraria algumas controvérsias,
mas talvez seja necessário hoje em dia reinvindicar
esta metodologia, já que não há
nada mais afastado dos fundamentos de uma profissão
que dispensar o complexo axiológico que lhe dá
sua razão de ser.
A
habilitação legal para o exercício
de uma atividade NÃO PODE NEM DEVE ser um mero
privilégio de quem teve a sorte de poder seguir
e terminar uma carreira universitária. Um título
profissional da direitos, mas principalmente gera obrigações,
e a primeira e fundamental delas é o compromisso
com a sociedade, compromisso que supõe atuar
com a ciência e consciência, regida pelos
valores de solidariedade e justiça.
Quando
o profissional universitário se guia unicamente
pelo fim econômico e o "valor utilidade material
individual" é o único que conduz
sua atuação, prostitui sua profissão;
e quando esta prostituição se generaliza
e é exercida sem escrúpulos por mercenários
tecnocratas que, com ou sem título, vendem seus
conhecimentos ou influências ao melhor licitante
e torcem as teorias em direção onde a
conveniência econômica os indica, a sociedade
avança infalivelmente para seu fracasso.
A
excelência profissional requer uma atitude comprometida
frente à sociedade, o que conduz necessariamente
a impressão da capacitação e aperfeiçoamento
permanente, mas requer fundamentalmente de uma consciência
que ante o bom e o mal, o justo e o injusto, o útil
e o inútil, seja capaz de eleger o bom, o justo
e o útil ainda a custa do próprio interesse
econômico, pois para alem de sua missão
específica, é um dever moral de todo profissional
a busca permanente de um modelo de sociedade justa apta
para satisfazer a necessidade de seus integrantes.
Se
no atuar de um profissional universitário não
há pelo menos um vislumbre de altruísmo,
que se o possa reclamar a aqueles que não têm
a possibilidade de acesso ao ensino superior?, e se
numa sociedade o outro não importa, que importa
e para que serve a sociedade?...
A
atuação profissional no nível individual
deve visar a criar ou facilitar a criação
de condições adequadas para o desenvolvimento
individual e coletivo das pessoas. E em seu trabalho
comunitário deve tender-se ao estabelecimento
de políticas que permitam afiançar a justiça,
consolidar a paz interior, prover a defesa comum, prover
o bem estar coletivo, e assegurar os benefícios
da liberdade para nós, para nossa posterioridade
e para todos os homens do mundo que queiram habitar
este solo.
Agrimensor
Gustavo García
e-mail:
gmgn968@infovia.com.ar
Veja
o artigo original em Espanhol Argentino. Encontra-se
publicado em: http://www.elagrimensor.net/elearning/lecturas/queesagrimensura.pdf
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